Recentemente estive analisando o que está realmente acontecendo na Bolsa Mexicana de Valores em 2026, e a verdade é que há um movimento interessante que muitos investidores estão passando despercebido. As principais empresas que cotam na bolsa mexicana estão mostrando uma resiliência surpreendente, especialmente considerando todo o ruído geopolítico presente no mercado global.



Primeiro, o contexto: a BMV possui apenas 145 empresas listadas, portanto é um mercado bastante concentrado. O fascinante é que o S&P/BMV IPC, que agrupa as 35 maiores, concentra cerca de 80% do valor de mercado total. E as cinco principais empresas que cotam na bolsa praticamente definem o movimento de todo o índice.

Vamos falar dos números reais. Grupo México lidera com uma capitalização próxima a 1,53 trilhão de pesos, seguido de perto por América Móvil com 1,35 trilhão. Walmart do México está na terceira posição com quase 957 bilhões. FEMSA e Fresnillo completam o top 5. Juntas, essas cinco empresas representam quase 50% de toda a capitalização da bolsa. Quando digo que são pilares do mercado, não estou exagerando.

O que é interessante é que o desempenho tem sido misto, mas em geral positivo. Em 2026 até agora, o índice acumula uma valorização de 5-6%, embora tenha atingido máximas de 72.000 pontos em fevereiro. Mas aqui vem o melhor: comparado ao S&P 500, que acumula apenas 5% nos últimos 12 meses, o S&P/BMV IPC gerou retornos de cerca de 22% no mesmo período. Isso é uma diferença de desempenho bastante significativa.

Cada uma das principais empresas que cotam na bolsa tem sua própria história. Walmart do México reportou vendas consolidadas próximas a 246 bilhões de pesos no primeiro trimestre, embora com pressão nas margens por custos operacionais. América Móvil mostrou crescimento de receita de 2,1%, mas um lucro líquido que saltou 25,1% ano a ano, o que sugere melhor controle de custos. Grupo México acelerou receitas 11% no último trimestre disponível, com lucro líquido superior a 50%. FEMSA mantém sua posição sólida, embora com pressões cambiais. Fresnillo herdou um 2025 espetacular, com receitas de 4.561 milhões de dólares, crescimento de 30,5% ano a ano.

O setor de mineração está sendo o motor, especialmente pelo cobre. Consumo básico e telecomunicações também estão puxando o mercado. O peso mexicano permanece em uma faixa relativamente forte de 17,30 a 17,80 por dólar, o que ajuda as empresas mexicanas com dívidas em dólares.

O que me parece relevante é o contraste. Enquanto a administração Trump impõe tarifas e gera volatilidade, o fluxo de nearshoring continua sustentado. O consumo interno mexicano resiste. E aqui está o ponto: se você manteve todo seu portfólio nos Estados Unidos por anos, 2026 pode ser a hora de repensar isso. Uma estratégia diversificada que combine exposição às principais empresas que cotam na bolsa mexicana, especialmente em mineração e consumo, além de alguns ativos americanos de forma mais seletiva, poderia capturar diferenças de desempenho que atualmente são bastante relevantes.

Não é que o México seja perfeito. A inflação gira em torno de 4,5-4,6% ao ano, acima da meta do Banxico de 3%. Existem riscos geopolíticos evidentes. Mas a resiliência demonstrada nos últimos meses sugere que o mercado mexicano tem mais força do que muitos imaginam. Se você busca diversificar ou explorar novas oportunidades em mercados menos saturados, vale a pena observar o que está acontecendo na BMV neste momento.
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