Recentemente estive revisando minha carteira e percebi algo que muitos investidores iniciantes deixam passar: nem todas as ações são iguais. Sério, a diferença entre o que você investe pode mudar completamente sua estratégia financeira.



A maioria das pessoas só pensa em ações ordinárias, mas existe um mundo completo de acionistas preferenciais que jogam por regras muito diferentes. E honestamente, dependendo de onde você está na sua vida financeira, um ou outro tipo pode ser exatamente o que você precisa.

Vamos primeiro ver o que faz as ações comuns tão populares. São o tipo clássico que todos conhecem: você compra um pedaço da empresa, tem voto nas decisões importantes, e se a companhia cresce, seu investimento cresce com ela. A liquidez é incrível, você pode vender rápido se precisar. Mas claro, com esse potencial de ganhos vem volatilidade. Os dividendos variam conforme o desempenho da empresa, e em tempos difíceis podem desaparecer completamente.

Agora, as ações preferenciais são outro animal completamente diferente. Imagine que você quer os benefícios de ser acionista, mas sem o estresse da volatilidade. Aqui é onde entram os acionistas preferenciais. Esses tipos recebem dividendos fixos ou com uma taxa preestabelecida, muito mais previsíveis que os das ações comuns. Não têm poder de voto nas assembleias, mas em troca obtêm prioridade nos pagamentos de dividendos. Se a empresa entra em problemas, os acionistas preferenciais se recuperam antes que os acionistas comuns.

Existem várias variantes de ações preferenciais que vale a pena conhecer. Estão as acumulativas, onde se a empresa não consegue pagar dividendos em um trimestre, eles se acumulam para depois. As conversíveis permitem trocá-las por ações ordinárias sob certas condições. E as resgatáveis, que a empresa pode recomprar quando quiser. Alguns acionistas preferenciais até têm dividendos vinculados aos resultados financeiros reais da companhia, então nem tudo é tão fixo como parece.

A posição dessas ações na hierarquia financeira é interessante. Em caso de liquidação, os acionistas preferenciais recebem antes que os acionistas comuns, mas depois dos credores e detentores de títulos. É como estar no meio do caminho: melhor que os acionistas ordinários, mas não tão protegido quanto os detentores de bônus.

Agora, qual escolher? Depende completamente do seu perfil. Se você tem 30 anos e quer fazer seu patrimônio crescer a longo prazo, as ações comuns são sua amiga. Aguenta a volatilidade sabendo que em 20 anos provavelmente terá ganho muito mais. Mas se você está perto da aposentadoria ou simplesmente precisa de fluxo de caixa regular e previsível, os acionistas preferenciais oferecem essa estabilidade que busca.

Uma coisa interessante que notei ao revisar dados históricos: o Índice de Ações Preferenciais dos EUA do S&P, que representa aproximadamente 71% do mercado de ações preferenciais nos Estados Unidos, caiu 18,05% durante um período de cinco anos, enquanto o S&P 500 subiu 57,60% no mesmo intervalo. Isso mostra claramente como esses dois tipos de investimentos se comportam de forma muito distinta, especialmente quando as taxas de juros mudam.

A realidade é que os acionistas preferenciais são sensíveis às mudanças nas taxas de juros, quase como se fossem títulos. Quando as taxas sobem, os preços dessas ações caem. Mas essa é a compensação por ter esses dividendos mais seguros.

Minha recomendação pessoal é não ver isso como um dilema de um ou outro. Misture ambos os tipos na sua carteira. Use ações comuns para o crescimento, acionistas preferenciais para a estabilidade. Alguns investidores conservadores que conheço têm até 40% em preferenciais e o restante em comuns, e dormem tranquilos. Outros mais agressivos têm apenas preferenciais.

Se você quer começar a investir em qualquer um desses tipos, o processo é bem simples. Escolha uma corretora regulada e confiável, abra sua conta, analise bem a empresa que te interessa, e execute sua ordem. Pode optar pelo preço de mercado ou colocar um limite de preço. Algumas corretoras até permitem operar com CFDs sobre essas ações, se você não quer tê-las fisicamente na sua carteira.

O importante é que você entenda o que está comprando. As ações ordinárias oferecem potencial de crescimento, mas com risco. Os acionistas preferenciais oferecem rendimentos previsíveis, mas com menos chance de multiplicar seu investimento. Ambas têm seu lugar em uma estratégia inteligente de investimento.
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