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O mercado mexicano que surpreende em 2025: Por que as empresas mexicanas cotadas na bolsa estão a arrastar lucros?
Se há algo que chamou a atenção este ano é o desempenho inesperado do mercado bolsista mexicano. Enquanto os principais índices americanos permanecem planos ou em vermelho, o S&P/BMV IPC acumula um avanço próximo aos 21,7% nos últimos 12 meses, deixando para trás Wall Street. Como é possível? A resposta está na forma como estão agindo as empresas mexicanas que cotam na bolsa e nos ventos de mudança que sopram na região.
Um mercado pequeno mas concentrado: A Bolsa Mexicana de Valores em números
A Bolsa Mexicana de Valores (BMV) é a segunda maior da América Latina e a quinta do continente americano. Embora pareça grande, a realidade é que apenas 145 empresas mexicanas cotam nela, o que a torna um mercado relativamente pequeno comparado com a sua economia. No entanto, o que lhe falta em quantidade compensa-se com concentração de poder.
O S&P/BMV IPC, o principal índice que reflete o desempenho dessas empresas mexicanas cotadas na bolsa, é composto por apenas 35 empresas. Mas aqui vem o interessante: apenas 10 delas concentram 71,6% do peso do índice. O índice tem sido revisado duas vezes por ano desde o seu lançamento em outubro de 1978 e é ponderado por capitalização de mercado.
Dados-chave do índice:
Os setores que dominam são produtos básicos de consumo (30,9%), materiais (26,2%) e industrial (12,3%), o que reflete a natureza da economia mexicana.
As cinco campeãs que movem o mercado
Quando falamos de empresas mexicanas que cotam na bolsa e têm peso real, esses cinco nomes são inevitáveis. Juntas representam o 44,2% de toda a capitalização bolsista da BMV, e concentram o 55,8% do índice principal. São os pilares sobre os quais repousa o mercado.
Walmart de México: O gigante do retalho
Walmart de México SAB de CV é a joia do setor de retalho. Com uma capitalização de 1,10 trilhão de MXN, controla armazéns, hipermercados, supermercados e clubes em toda a América Central desde sua fundação em 1958.
No segundo trimestre de 2025, as vendas atingiram 246.253,8 milhões de pesos, um crescimento em relação aos 227.415,1 milhões do ano anterior. No entanto, o lucro líquido caiu para 11.226,9 milhões frente a 12.510,1 milhões no 2T24. Barron’s mantém uma recomendação de “sobreponderar” para esta empresa.
América Móvil: Telecomunicações em escala global
América Móvil, com sede no México mas operações em 23 países da América e Europa, é a maior empresa de telecomunicações do continente americano e a sétima a nível mundial. Com mais de 323 milhões de utilizadores, domina serviços de telefonia móvel, publicidade, centros de chamadas e torres de comunicação.
No terceiro trimestre de 2025, registou receitas de 232.920 milhões de MXN (crescimento interanual de 4,2%) e uma utilidade líquida de 22.700 milhões de MXN. Os analistas do Investing.com mantêm uma recomendação de “Compra”.
Grupo México: Mineração e transporte com alcance mundial
Fundado em 1978, o Grupo México opera em três divisões: Minera México (a terceira maior produtora de cobre do mundo), Transportes (frota ferroviária mais grande do México) e Infraestrutura. É um conglomerado que concentra 1,27 trilhão de MXN em capitalização.
No terceiro trimestre de 2025, as receitas cresceram 11% até 4.590 milhões de dólares, enquanto o lucro líquido disparou mais de 50%, atingindo 1.290 milhões de dólares. O consenso de analistas aponta um preço-alvo de 149,42 MXN.
FEMSA: O engarrafador da Coca-Cola mais grande do mundo
Fomento Econômico Mexicano (FEMSA), fundada em 1890 em Monterrey, é um império em bebidas, retalho, restaurantes e farmácias. Como o maior engarrafador da Coca-Cola a nível mundial, opera em 17 países com presença consolidada na América Latina.
No terceiro trimestre de 2025, as receitas cresceram 9,1% até 214.638 milhões de pesos, embora o lucro líquido tenha caído 36,8% para 5.838 milhões devido a perdas cambiais e despesas financeiras. Os analistas mantêm uma recomendação de “Compra”.
Banorte: O segundo banco do país
Grupo Financeiro Banorte, fundado em 1992, é o segundo dos quatro maiores bancos do México e da América Latina. Com 22 milhões de clientes, mais de 1.000 agências e 7.000 caixas automáticos, oferece serviços completos: contas de poupança, cartões de crédito, empréstimos, hipotecas e gestão de fundos de aposentadoria.
No terceiro trimestre de 2025, registou um resultado líquido de 13.008 milhões de pesos (queda de 9% interanual). Barron’s mantém uma recomendação de “Sobreponderar”.
O contexto: Por que o México está a ganhar em 2025
A surpresa do ano vem do lado sul da fronteira, e não é por acaso. Apesar da reeleição de Donald Trump e das tarifas de 25% aplicadas a produtos mexicanos, o mercado tem mostrado uma resiliência notável.
Três fatores explicam este fenómeno:
Nearshoring imparable: A relocação de manufatura da Ásia para o México continua a acelerar-se, atraindo investimento estrangeiro constante.
Consumo interno forte: Ao contrário de economias mais vulneráveis, o consumo doméstico no México continua robusto, sustentando empresas mexicanas cotadas na bolsa como Walmart e FEMSA.
Inflação controlada: A inflação situa-se perto dos 3,5% ao ano, permitindo ao Banco do México iniciar cortes de taxas e melhorar as condições financeiras gerais.
Peso resiliente: A taxa de câmbio tem mostrado estabilidade, evitando depreciações abruptas e reduzindo pressões nos custos operacionais.
O S&P/BMV IPC mantém níveis próximos aos 63.000-64.000 pontos, refletindo confiança nas empresas líderes do país.
A oportunidade de investimento: Repensar a carteira
Para investidores que historicamente têm concentrado os seus ativos nos Estados Unidos, 2025 representa um ponto de viragem. Enquanto Wall Street move-se lentamente, as empresas mexicanas que cotam na bolsa estão a gerar retornos de dois dígitos.
Uma estratégia equilibrada pode combinar:
Esta mistura permite captar diferenças de desempenho e reduzir riscos comerciais, monetários e geopolíticos. Num ano de mudanças importantes, ignorar o potencial do mercado mexicano pode ser um custo de oportunidade significativo.
A Bolsa Mexicana de Valores deixou de ser um mercado secundário: é agora um destino real para quem busca retornos em 2025.