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A ordem do petróleo está à beira de ruptura. O que acontecerá a seguir no Médio Oriente?
Título original: The Bargain: How Fifty Years of Peace Came to an End
Autor original: Garrett
Tradutor: Peggy, BlockBeats
Autor original:律动BlockBeats
Fonte original:
Reprodução: 火星财经
Prefácio do editor: Nas últimas semanas, durante uma evolução intensa, o mercado tentou inicialmente compreender tudo dentro de um quadro familiar — ataques aéreos, bloqueios, choques nos preços do petróleo — parecendo apenas mais uma crise típica no Médio Oriente. Mas, com o passar do tempo, uma questão mais difícil de ignorar começou a emergir: se a «transação oculta» que durou décadas se quebrou, qual será o caminho que o mundo seguirá para reconstruir um novo equilíbrio?
Este artigo usa a «transação» como fio condutor, analisando a formação, as fissuras e o colapso da ordem no Médio Oriente, e aponta que o momento atual não depende do resultado de uma operação militar específica, mas sim do fracasso simultâneo de duas regras fundamentais: «Os EUA não tocam na base do regime iraniano» e «O Irã não bloqueia o Estreito de Ormuz». Quando esses limites mutuamente restritivos são rompidos, a evolução do conflito deixa de estar sujeita às antigas lógicas.
Para o futuro, o artigo faz uma previsão: a curto prazo, a situação poderá oscilar entre «guerra terrestre» e «diminuição da dissuasão»; mas, a médio e longo prazo, mudanças mais concretas já começam a surgir: a passagem seletiva está a remodelar alianças, as rotas de transporte de energia estão a ser forçosamente reestruturadas, e a ligação entre o dólar e a segurança está a enfraquecer. Essas mudanças não serão revertidas por uma única trégua ou negociação, mas irão consolidar-se gradualmente numa nova estrutura.
A seguir, o texto original:
Em 24 de março de 2026. Uma embarcação de guerra com deslocamento de 45 mil toneladas navega a toda velocidade do Japão em direção ao Golfo Pérsico.
A «Líbia» (USS Tripoli), um porta-aviões de assalto anfíbio, também chamado pelos militares americanos de «porta-aviões relâmpago». Sua pista de voo está equipada com 14 caças F-35B stealth — atualmente os únicos de quinta geração com capacidade de pouso vertical. Em 2022, a Marinha dos EUA realizou um teste crucial nesta embarcação: carregando 20 F-35B ao mesmo tempo, verificando pela primeira vez a concepção operacional do «porta-aviões relâmpago». Como afirmou o comandante da 7ª Frota: «Apenas os 14 caças de quinta geração no deck já constituem um sistema de sensoriamento e ataque altamente dissuasor.» Sob diferentes configurações de missão, ela pode atuar como um porta-aviões leve ou trocar de equipamento para embarcar «Osprey» tiltrotors e «Super Stallion» helicópteros, realizando uma operação de desembarque de 2200 fuzileiros navais. Previsão de chegada: 27 de março.
Ao mesmo tempo, outro grupo de operações anfíbias partiu de San Diego — centrado no «Boxer» (USS Boxer), com cerca de 2500 fuzileiros navais, com uma viagem de aproximadamente três semanas. Em Fort Bragg, na Carolina do Norte, a 82ª Divisão Aerotransportada de reação rápida também está em prontidão. Este contingente de cerca de 3000 soldados é a força terrestre de implantação mais rápida dos EUA, podendo ser deslocada para qualquer região do mundo em 18 horas.
O Pentágono já tem um plano de operação: uma coordenação entre ataques anfíbios marítimos e operações aerotransportadas. O objetivo principal é o maior porto de exportação de petróleo do Irã — a Ilha de Kharg. A ilha fica a apenas 25 km do território iraniano, e cerca de 90% das exportações de petróleo do país passam por lá. Além disso, as ilhas Qeshm e Kish, que controlam a entrada do Estreito de Ormuz, também estão na lista de possíveis alvos. Contudo, o contra-almirante aposentado John Miller alertou: mesmo ocupando essas ilhas, o controle duradouro será difícil — o Irã pode continuar a interferir no transporte marítimo a partir do território. Se a operação for iniciada, será a maior operação anfíbia dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Com toda a força reunida, a presença militar americana no Médio Oriente atingirá 50 mil soldados.
E, há um mês, tudo isso parecia inimaginável.
Algumas semanas atrás, EUA e Israel realizaram ataques aéreos contra o Irã; três semanas atrás, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz — a principal via de transporte de 21 milhões de barris de petróleo por dia; duas semanas atrás, o preço do petróleo internacional ultrapassou US$ 110 por barril; uma semana atrás, altos oficiais militares americanos sinalizaram aos aliados que «podem não ter escolha» e que uma ofensiva terrestre seria inevitável.
Analisando a linha do tempo, trata-se de uma escalada rápida. Mas, ao ampliar o olhar para cinquenta anos, percebe-se que cada passo de hoje tem uma origem clara na história. Decisões que parecem «fora de controle» na verdade, na época, quase sempre foram racionais.
Para entender como tudo isso aconteceu, precisamos voltar meio século no tempo.
A «transação»
Na década de 1970, as monarquias do Médio Oriente caíram uma a uma.
Em 1952, Nasser derrubou o rei Farouk do Egito; em 1958, a monarquia da Babilônia no Iraque foi derrubada por um golpe militar; em 1969, Gaddafi depôs o rei Idris na Líbia; em 1979, o aiatolá Khomeini derrubou a dinastia Pahlavi no Irã. Cada revolução tinha uma bandeira comum: pan-Arabismo — «Os árabes se unem contra o Ocidente e Israel». E o desfecho também era semelhante: líderes autoritários assumiam o poder, a embaixada dos EUA era queimada, o petróleo nacionalizado.
As monarquias restantes — Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Bahrein, Catar —, ao verem seus vizinhos caírem, mergulharam na ansiedade de sobrevivência.
Assim, uma «transação» não escrita foi naturalmente formada: os EUA garantiam segurança; os monarcas do Golfo vendiam petróleo em dólares e reinvestiam os dólares em títulos do governo americano.
Sem contratos formais, sem cerimônias, sem prazos. Um equívoco comum é pensar que «em 1974, EUA e Arábia Saudita assinaram um acordo de dólar do petróleo». Na verdade, o memorando de uma reunião entre Nixon e o rei Fahd na Casa Branca, de apenas quatro páginas, discute política do Oriente Médio, sem mencionar preços do petróleo ou liquidação em dólares. Não se trata de um acordo, mas de uma «transação» — um padrão de comportamento que surge quando interesses estão altamente alinhados.
Lembre-se desta palavra. Porque, em 2026, o que colapsou foi outra «transação» que durou quarenta anos. E essa transação era frágil justamente por não ter mecanismos de execução — uma vez que uma parte reavalie seus ganhos e perdas, o equilíbrio se desfez de forma irreversível.
Para entender por que os países do Golfo ainda não podem abrir publicamente uma relação com Israel — mesmo que, em privado, alguns membros da monarquia possam desejar isso —, é preciso reconhecer uma realidade estrutural: o mundo árabe, de certa forma, é um espelho da Europa. A Europa é composta por «pequenas nações formando grandes países», enquanto o mundo árabe é «um grande povo dividido em vários Estados». Desde Marrocos até o Iraque, falam a mesma língua, professam a mesma religião, mas suas fronteiras coloniais os dividiram em dezenas de países. A narrativa de «unir-se contra Israel» tem uma base popular ampla.
Líderes que um dia empunharam essa bandeira — Nasser, Saddam, Gaddafi — foram eliminados. Mas os países que deixaram para trás não ficaram melhores; pelo contrário, tornaram-se fragmentados: o Iraque virou palco de conflitos entre milícias xiitas, a Líbia entrou em guerra civil, o Iêmen caiu nas mãos dos houthis. Mais importante, a população ainda tem nostalgia desses líderes — eles simbolizavam «os árabes se levantando». Essa é a encruzilhada das monarquias do Golfo: têm bases americanas, mas não podem usá-las para atacar o Irã. Abrir as bases significaria «enfrentar os irmãos muçulmanos com os EUA e Israel», o que pode custar caro na política interna.
Nesse cenário, o Irã desenvolveu uma estratégia nuclear extremamente sofisticada. O princípio de Khamenei é simples: ficar sempre na margem — ter capacidade de ultrapassar, mas nunca realmente ultrapassar. No jogo de estratégia, isso é chamado de «dissuasão difusa»: obter efeito dissuasor nuclear sem sofrer sanções e isolamento semelhantes à Coreia do Norte. Enriquecer urânio até 60% — armas nucleares usam 90%, mas você nunca sabe exatamente quanto falta para chegar lá. Esse equilíbrio poderia durar indefinidamente.
E, no Estreito de Ormuz, outra «transação» mais antiga também funcionou por quarenta anos: os EUA não derrubam o regime iraniano, o Irã não bloqueia o Estreito de Ormuz.
Ela resistiu a testes extremos. Durante a «Guerra do Petróleo» entre Irã e Iraque (1984-1988), ambos se bombardearam com petroleiros, e a Marinha dos EUA chegou a lutar diretamente com o Irã («Operação Mantis»). Ainda assim, o Irã não bloqueou o estreito. Em 2025, na «Guerra dos Doze Dias», EUA e Israel atacaram instalações nucleares iranianas — quase atingindo sua linha de sobrevivência —, mas o Irã não bloqueou o estreito.
Por quê? Não porque o Irã seja «fraco», mas porque a racionalidade de ambos aponta para a mesma conclusão: 90% das exportações de petróleo iranianas dependem do estreito, e um bloqueio total equivaleria a uma autodestruição econômica. Os EUA também sabem que, se o estreito for realmente fechado, quase não há meios militares para reabrí-lo rapidamente. Ambos têm um forte incentivo para manter o status quo — sem ultrapassar a linha vermelha de sobrevivência do outro.
Esse equilíbrio parece poder durar para sempre.
Fissuras
As fissuras começaram com um acordo inicialmente tentado para reparar relações.
Em 2015, o acordo nuclear iraniano (JCPOA), promovido pelo governo Obama, tinha uma cláusula de «sunset»: as restrições principais expirariam após 10 a 15 anos, permitindo ao Irã retomar a enriquecimento de alto nível de urânio. Era uma espécie de promessa: «aguente mais dez anos, e você recuperará a legitimidade». Israel e Arábia Saudita ficaram extremamente insatisfeitos: era como dizer ao Irã que o tempo estava do lado deles.
Em 2018, Trump anunciou a saída do JCPOA. Por si só, essa decisão não era irracional — a cláusula de «sunset» realmente funcionava como uma bomba-relógio. Mas o problema é que não havia uma alternativa. O novo equilíbrio passou a ser: EUA continuam com sanções, Irã avança lentamente. Avaliações de inteligência indicam que o Irã não avançou significativamente na nuclearização. É uma situação feia, mas relativamente estável.
A verdadeira estratégia de Trump, na verdade, focava em outro ponto: os Acordos de Abraão (Abraham Accords).
Essa estratégia é bastante engenhosa: os EUA precisam deslocar seu foco estratégico para a China, e a segurança no Médio Oriente deve ser «externalizada»; para isso, é necessário um inimigo comum (Irã) que una os países do Golfo e Israel. Israel fornece capacidade de segurança, os países do Golfo oferecem recursos econômicos, e os EUA atuam como mediador e plataforma. Quase perfeita na lógica.
Porém, ela depende de uma premissa: a opinião pública no Golfo deve aceitar Israel.
A única solução fundamental é que Israel recua às «linhas verdes» de 1967. Essa é a linha de base que o príncipe herdeiro saudita MBS já indicou várias vezes. Se Israel se retirar, a resistência na opinião pública do Golfo diminui drasticamente, e até o próprio Irã perderá seu principal ponto de mobilização narrativa. A bandeira que eles levantam — «Israel ocupa nossas terras» —, se as terras forem devolvidas, o que restará para mobilizar? Nesse cenário, até os foguetes ocasionais do Irã reforçarão a dependência dos países do Golfo em relação à segurança de Israel. Os EUA só precisam manter uma linha de limite: o Irã não pode possuir armas nucleares. Porque, se a proliferação nuclear começar (Irã adquirir armas nucleares, Arábia Saudita seguirá; depois, a Turquia também não ficará de fora), tudo sairá do controle.
Mas Netanyahu não recuará. Os extremistas israelenses veem os assentamentos como uma «promessa bíblica», e recuar às linhas verdes é praticamente impossível na política interna. Por isso, a Arábia Saudita nunca aderiu aos Acordos de Abraão.
Então, em 2025, tudo mudou.
EUA e Israel lançaram a «Guerra dos Doze Dias», atacando diretamente instalações nucleares iranianas. Do ponto de vista do Irã, isso ultrapassou uma linha vermelha fundamental. Bombardear suas capacidades nucleares equivale a tirar seu último «mecanismo de seguro» — a promessa implícita de quarenta anos de que «os EUA não derrubarão o regime iraniano» —, que agora desaparece. Você foi quem quebrou as regras.
O que colapsou foi toda a lógica da transação. Antes, o Irã não bloqueava o estreito porque «não mexia na minha base, não mexia na sua fonte de sobrevivência». Agora, com a base atingida, o «não bloquear o estreito» não tem mais sentido — nada mais pode ser trocado.
O pressuposto da transação desapareceu. Mas a raiva, por si só, não basta. O Irã também precisa de capacidade e oportunidade. Entre 2025 e 2026, esses três fatores se alinharam simultaneamente.
Primeiro, a transformação na capacidade militar. Antes, «bloquear o estreito = suicídio», porque o Irã não tinha condições de fazer um bloqueio seletivo. Hoje, o Irã possui drones em grande quantidade, mísseis anti-navio precisos e uma capacidade de informação suficiente para fazer «apenas bloquear seus navios, não os nossos» — permitindo a passagem de navios chineses e russos, enquanto intercepta embarcações de aliados dos EUA. O bloqueio seletivo transforma o que era uma «ação suicida» em uma «ferramenta estratégica sustentável».
Segundo, a legitimidade moral. «Foi você quem bombardeou nossas instalações nucleares» — essa narrativa tem forte apelo na opinião pública internacional.
Terceiro, a conivência de China e Rússia. Pequim e Moscou não precisam apoiar publicamente, basta manter a «negação plausível» — dizer que não participaram, mas também não condenam. Assim, o Irã ganha espaço diplomático.
Na data do ataque às instalações nucleares em 2025, esses três fatores se alinharam. Do ponto de vista da teoria dos jogos, bloquear o Estreito de Ormuz em 2026 não é uma «ação impulsiva», mas uma jogada que já deveria ter sido feita — só que, até então, faltava o momento, a capacidade e a legitimidade.
O núcleo do problema é: os EUA quebraram a primeira parte da transação (não derrubar o regime → atacar instalações nucleares), mas esperam que o Irã cumpra a segunda parte (não bloquear o estreito). Do ponto de vista da teoria dos jogos, isso é claramente inviável — você viola unilateralmente as regras, e exige que o outro cumpra.
O equilíbrio, portanto, desfez-se de forma irreversível.
O colapso
Voltando a março de 2026. A cena descrita no início — «porta-aviões relâmpago», forças aerotransportadas, 50 mil soldados — agora é fácil de entender. Os ataques aéreos não abriram o Estreito de Ormuz. Porque o que você enfrenta não é uma barreira física que pode ser «limpa» por bombas, mas sim um equilíbrio político que você mesmo quebrou.
Bombas não resolvem questões políticas. Mas, na quarta semana, as mudanças vão muito além do reforço militar. A estrutura de poder no Médio Oriente está sendo reconfigurada.
Irã: de defesa a ofensiva
Em 22 de março, Abdollah Abdollahi, comandante do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, anunciou publicamente que a postura militar do Irã mudou de defensiva para ofensiva, introduzindo sistemas e táticas mais avançadas. No dia seguinte, o exército iraniano afirmou ter «controle efetivo» do Estreito de Ormuz, acrescentando: «Na atual situação de controle, não há necessidade de colocar minas no Golfo Pérsico.»
A mensagem implícita é clara: não precisamos de minas, já controlamos de fato essa via de passagem.
No mesmo dia, respondendo ao ultimato de 48 horas de Trump — «ou abra o estreito, ou ataque instalações elétricas» —, o exército iraniano emitiu uma declaração de retaliação: o Estreito de Ormuz será totalmente fechado até que as instalações danificadas sejam restauradas; instalações de energia, tecnologia da informação e dessalinização no Médio Oriente, assim como as redes de energia e comunicação de Israel, serão alvos legítimos de ataque; o sistema elétrico e de comunicação de Israel também sofrerá ataques em larga escala.
Este é o sinal mais claro de uma escalada até agora: se os EUA atacarem as instalações elétricas, o Irã não só fechará o estreito, mas expandirá a guerra para toda a infraestrutura energética do Golfo.
Ao mesmo tempo, o Irã utilizou uma ferramenta mais oculta e letal.
O ministro das Relações Exteriores, Araghchi, declarou publicamente que o Irã está disposto a permitir que navios japoneses passem pelo Estreito de Ormuz. A Coreia do Sul também afirmou estar negociando de forma semelhante. A lógica é clara: países envolvidos na ação contra o Irã — bloqueando; países neutros — negociando; países que estão se alinhando — forçados a escolher um lado.
O Irã está usando o «direito de passagem» para remodelar a estrutura de alianças internacionais. Isso não é mais uma simples operação militar de bloqueio, mas uma transformação do «quem pode passar» em uma moeda diplomática.
Trump: ultimato → recuo → novo ultimato
Ao revisar a última semana, um padrão começa a emergir: quinta-feira — «quase atingindo o objetivo», considerando uma redução; sexta-feira — reversão repentina, emitindo um ultimato de 48 horas; sábado — resposta firme do Irã, com a 75ª rodada da «Operação Compromisso Real-4»; domingo — o ultimato expira, e os EUA anunciam repentinamente «início de diálogo construtivo com o Irã», adiando a ação por cinco dias.
O Irã nega essa narrativa, com o presidente do parlamento, Ghalibaf, chamando-a de «informação falsa para manipular os mercados financeiros e de petróleo». Israel também revelou que EUA e Irã podem estar negociando em Islamabad, Paquistão, com o vice-presidente Vance atuando como enviado especial.
Criar tensão, estabelecer prazos, oferecer «passos de recuo» — mas a confiança na rotina está se esgotando rapidamente. Em 24 de março, após notícias de «diálogo», o preço do petróleo caiu mais de 10%, chegando a menos de US$ 100 por barril, mas a recuperação não mudou os fatos estruturais: o Estreito de Ormuz continua fechado, os EUA continuam a reforçar suas tropas, e Israel deixou claro que os ataques durarão «semanas».
Arábia Saudita: a «arte do equilíbrio» forçada
Um dos fatores mais importantes desta semana foi a mudança na postura da Arábia Saudita.
Em 24 de março, o «Wall Street Journal» reportou que a Arábia Saudita abriu a base aérea de King Fahd para as tropas americanas — anteriormente, Riad tinha declarado que sua base não seria usada para atacar o Irã. Ao mesmo tempo, os Emirados Árabes fecharam hospitais e clubes iranianos locais, cortando suas redes sociais; mísseis usados contra o Irã foram confirmados como provenientes de Bahrein; e a Arábia Saudita, nos bastidores, afirmou aos EUA que, se o Irã atacar suas instalações de energia e água, responderá diretamente. Um conselheiro sênior dos Emirados também declarou publicamente que os ataques iranianos «empurraram eles para o lado de Israel e dos EUA».
Lembra-se da «linha de fio de cabelo» mencionada na primeira parte? A arte do equilíbrio das monarquias do Golfo — tendo bases americanas, mas sem poder usá-las contra o Irã, devido ao alto custo político interno. E o Irã, com seus mísseis, cortou essa linha de fio de cabelo. Quando suas instalações de energia e água são atingidas, «manter a neutralidade» deixa de ser uma opção.
Por outro lado, a Arábia Saudita também demonstra uma resiliência estratégica impressionante.
Ela ativou o oleoduto East-West, com 1200 km de extensão, ligando o campo de petróleo de Abqaiq ao Mar Vermelho, em Jubail. Construído na década de 1980 para enfrentar a Guerra do Irã-Iraque, hoje é uma das principais artérias energéticas globais. As exportações de Jubail aumentaram de menos de 800 mil barris por dia antes da guerra para 3,66 milhões de barris por dia, com picos acima de 4 milhões; pelo menos 25 superpetroleiros estão a caminho de carregamento; a capacidade do oleoduto foi ampliada para cerca de 7 milhões de barris por dia. Nasser, CEO da Saudi Aramco, afirmou: «Esta é a maior crise na história da indústria de petróleo e gás da região.»
Porém, a rota de Jubail também apresenta riscos: o Irã já atacou a refinaria Samref, uma joint venture entre Saudi Aramco e ExxonMobil, interrompendo temporariamente as operações; os navios que vão para a Ásia ainda precisam passar pelo Estreito de Mândeb, e os houthis continuam a atacar — apenas «pausando» as ações, sem parar completamente; a capacidade doméstica da Arábia Saudita também foi afetada, com a refinaria Ras Tanura sendo fechada temporariamente, reduzindo a produção em cerca de 2,5 milhões de barris por dia.
Duas colunas
Ao juntar tudo isso, percebe-se uma mudança estrutural mais importante do que qualquer notícia isolada: as duas colunas que sustentam o sistema do petróleo em dólares estão sendo simultaneamente enfraquecidas.
A primeira é a narrativa monetária. O Irã propôs «substituir o dólar por yuan para passagem». A curto prazo, o impacto é limitado — mais de 90% do comércio de petróleo global ainda é liquidado em dólares, e o capital chinês ainda não está totalmente aberto; o Irã também foi excluído do SWIFT. Mas o dano é forte e simbólico: a «desdolarização» saiu do debate acadêmico e entrou na arena política. A China nem precisa se envolver diretamente: o Irã cria narrativas na linha de frente, enquanto a China mantém espaço de manobra na retaguarda. O mais importante é o «efeito semente»: se os armadores japoneses e sul-coreanos forem obrigados a abrir contas em yuan para passagem, essa infraestrutura dificilmente desaparecerá.
A segunda coluna é o monopólio da segurança. Desde 1974, o outro pilar do sistema do petróleo em dólares é a «troca de segurança» — os EUA protegem as rotas marítimas do Golfo, e os países do Golfo liquidam suas exportações em dólares. Agora, esse pressuposto está sendo abalado: os EUA não podem mais garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Japão e Coreia do Sul começaram a negociar diretamente com o Irã — contornando o «intermediário de segurança» dos EUA, enfrentando o «pagador». Se esse padrão se consolidar, o Irã se tornará o controlador de fato do estreito, e o papel de «protetor» dos EUA será esvaziado — você cobra pelo «proteção», mas não consegue oferecer proteção, por que então continuar pagando?
Ao enfraquecer simultaneamente o sistema de liquidação em dólares e o monopólio da segurança americana, as duas pernas do sistema do petróleo em dólares estão sendo cortadas ao mesmo tempo.
Por isso, os EUA «precisam agir»: não apenas por uma questão militar, mas porque, a cada dia que passa, a erosão dessas duas colunas se torna mais difícil de reverter. Mas, como mostrado anteriormente, ataques aéreos não resolvem (não obtêm resultados), ocupações também não (não controlam ilhas, nem evitam bloqueios distribuídos por minas), e não agir é ainda mais inviável (as duas colunas estão desmoronando simultaneamente).
Essa é a verdadeira armadilha estratégica.
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Birol, descreveu o impacto atual como uma «sobreposição de duas crises do petróleo dos anos 1970 e da crise de gás natural na Ucrânia em 2022». Após usar reservas estratégicas recorde de 400 milhões de barris, ele afirmou: «A única solução real é a reabertura do Estreito de Ormuz.»
Porém, no momento, não há caminhos viáveis visíveis.
O que pode acontecer a seguir
27 de março: o «porta-aviões