Os Stablecoins de Pagamento Estão a Trazer Novas Soluções para a Crise do Setor Fintech?

Finanças descentralizadas (DeFi) e stablecoins estão a transformar o setor financeiro tradicional. Recentes decisões regulatórias fizeram com que stablecoins que geram rendimento fossem limitadas pelos bancos, enquanto stablecoins para pagamentos são adotadas por plataformas centralizadas. O lançamento do $PYUSD pela PayPal, o foco da Circle em soluções corporativas e a expansão da rede de transferências globais da Tether indicam o início de uma nova guerra no mundo fintech. Quem será o verdadeiro vencedor?

As Regras do Novo Jogo Monetário com os Gigantes Fintech

Nos últimos 20 anos, as fintechs buscaram criar uma infraestrutura de pagamento independente dos bancos. A avaliação de 159 bilhões de dólares da Stripe, os 75 bilhões de dólares da Revolut, o sucesso da Wise em transferências internacionais — tudo faz parte da história de crescimento do setor.

Mas a realidade é diferente. As fintechs, por dependerem totalmente do sistema bancário, nunca foram verdadeiramente independentes. Gerenciar fluxos de dólares sem passar pelas redes bancárias é impossível. Apesar de a Stripe não ter um volume de transações cinco vezes maior que a Adyen, sua avaliação é 13 vezes maior — a única explicação é o potencial de mercado para stablecoins e IA.

O setor fintech nasceu como resposta à crise de 2008, contra o sistema bancário. Mas agora enfrenta sua própria crise. Em 2021, a PayPal valia 340 bilhões de dólares, hoje esse valor é menor. O problema é simples: as operações de pagamento não são suficientemente lucrativas. Sem uma integração completa com os bancos, as fintechs não sobrevivem apenas com as comissões de transação.

Stablecoins de Pagamento: Nova Esperança ou Solução Temporária?

As stablecoins prometem mudar esse cenário. USDT (Tether), USDC (Circle) e outras estão redefinindo a natureza dos pagamentos. Transferir dólares na blockchain é muito mais barato e rápido do que pelos canais bancários tradicionais.

Segundo pesquisa da McKinsey e Artemis, o volume global de stablecoins atingiu cerca de 390 bilhões de dólares, mas esse valor representa apenas uma pequena fração do volume real de pagamentos. Em pagamentos B2B, são usados 226 bilhões de dólares; em transferências internacionais de pessoas, 90 bilhões; e na liquidação, 8 bilhões. Apesar dos números altos, representam apenas 0,02% do volume global de pagamentos.

A estratégia recente da Tether é especialmente interessante. O lançamento do USAT, o investimento de 200 milhões de dólares na Whop — tudo parte do plano de dominar as transferências de imigrantes de países em desenvolvimento. Controlar o fluxo de dinheiro na América Latina, Ásia do Sul e África via USDT é o verdadeiro jogo da Tether.

A Circle, por sua vez, escolheu outro caminho: promover o USDC em cenários corporativos B2B. No ecossistema DeFi, o USDC é mais comum, enquanto nas bolsas centralizadas domina o USDT. O setor fintech, por padrão, prefere o USDC — o que mostra a maior legitimidade do Circle nesse universo.

Fintech vs Bancos vs Blockchain: Três Frentes em Conflito

O setor bancário reage abertamente às stablecoins. Enquanto tenta bloquear stablecoins que geram rendimento, adota uma postura mais branda com as stablecoins de pagamento — uma estratégia para proteger seus depósitos. O exemplo da Merrill Lynch na década de 1970 se repete: na época, fintechs atraíam clientes com fundos do mercado monetário, mas acabaram sendo absorvidas pelos grandes bancos, que passaram a captar os depósitos.

Meta e Google estão desenvolvendo seus próprios stablecoins e protocolos de pagamento — gigantes da internet sabem que têm uma força maior do que as fintechs. Milhares de milhões de usuários, trilhões de dólares em valor de mercado — uma força que as fintechs não podem enfrentar.

No final, as fintechs estão presas entre os bancos tradicionais e os gigantes da internet. A Stripe tenta criar uma história de IPO, enquanto Meta e Google querem dominar o mercado, e os bancos defendem o antigo sistema (e suas altas comissões).

O Verdadeiro Jogo: O Dinheiro Deve Permanecer na Cadeia

O potencial das stablecoins de transformar pagamentos é real, mas exagerar essa capacidade é um erro. USDT e USDC, apoiados por títulos do governo, tornaram-se apenas canais alternativos de fintech. O pagamento em si não gera valor — apenas transfere dinheiro.

A narrativa do setor cripto é diferente: o dinheiro deve permanecer na blockchain, livre de intermediários bancários e fintechs. Stablecoins de rendimento, via protocolos DeFi, oferecem serviços financeiros reais — algo que as fintechs tradicionais ainda não conseguiram fazer.

A estratégia da Tether (transferências de imigrantes), a abordagem da Circle (foco em empresas) e os projetos inovadores em testes representam um esboço de onde o dinheiro irá realmente fluir. A entrada de Meta e Google ameaça de verdade o setor fintech.

Conclusão: O Fintech Está no Fim?

O setor fintech atingiu um novo ponto de inflexão com blockchain e stablecoins. O modelo tradicional (pagamentos + comissões) já não basta. As fintechs terão que se integrar aos bancos, adotar totalmente a tecnologia blockchain ou ficar à sombra dos gigantes da internet.

O papel das stablecoins no mercado de pagamentos ainda não está definido. Com uma penetração de cerca de 1%, há um longo caminho a percorrer. Mas a tendência é clara: manter o dinheiro no dólar, apoiado por garantias bancárias, está se tornando uma visão do passado para as antigas fintechs.

A nova fintech será diferente — construída sobre blockchain, descentralizada e mais próxima da produção.

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