Se há algo que demonstre o poder imprevisível da internet, é definitivamente a história do Pepe. O que começou como um personagem descontraído numa banda desenhada em 2005 transformou-se em algo muito maior e mais complexo.



Matt Furie criou o Pepe, a Rana, como parte da sua série 'Boy's Club', e o personagem era basicamente um tipo descontraído que dizia 'Sente-se bem, homem'. Nada de especial. Mas quando a imagem começou a circular no MySpace, 4chan e Tumblr por volta de 2008, algo mudou. A comunidade da internet começou a criar variantes emocionais do meme: Pepe Triste, Pepe Satisfeito, Pepe Enojado. Cada versão capturava um sentimento diferente, e as pessoas simplesmente não conseguiam parar de o remixar.

Em 2015, o Pepe já era um fenómeno cultural. Aqui entra o mais interessante: alguns colecionadores começaram a trocar versões raras do Pepe como ativos digitais, o que foi um dos primeiros indícios de escassez impulsionada pela internet, muito semelhante ao que depois aconteceu com os NFT. Assim, basicamente, o Pepe foi um dos primeiros memes que demonstrou que a internet podia criar valor real em torno de conteúdo digital.

Mas, claro, a história não é assim tão simples. Entre 2015 e 2016, grupos extremistas cooptaram o meme e transformaram-no num símbolo de ódio. Chegou até a ser incluído na base de dados de símbolos de ódio da Liga Anti-Difamação. Matt Furie ficou devastado. Não era isso que tinha criado. Por isso, lutou legal e publicamente para recuperar a imagem positiva do seu personagem.

O fascinante é o que aconteceu depois. Em 2019, durante os protestos em Hong Kong, o Pepe ressurgiu com um significado completamente diferente. Os manifestantes adotaram-no como símbolo de resistência contra o autoritarismo. De repente, o mesmo meme que tinha sido distorcido para o ódio agora representava esperança, unidade e desafio. Matt Furie apoiou isto totalmente, mostrando como um mesmo símbolo pode significar coisas radicalmente diferentes consoante o contexto cultural e político.

Hoje, o Pepe continua vivo nas subculturas da internet, especialmente em espaços de criptomoedas. O meme até inspirou moedas como PEPE, que tomaram o nome e a essência do personagem original. O seu legado é complicado: é tanto uma ferramenta de expressão emocional como um caso de estudo sobre como os símbolos podem ser sequestrados e reclamados.

Em conclusão, a trajetória do Pepe reflete algo fundamental sobre o funcionamento da internet. De um humilde personagem cómico a um símbolo global com significados que mudam consoante quem o usa, o Pepe demonstrou que os memes podem transcender as suas origens e influenciar a arte, a política e a tecnologia. É um lembrete de que, na internet, nada é permanente, e tudo pode ser reinterpretado.
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